O diário de uma ilustradora

 Começo hoje um projeto do meu coração. Um diário.

Parece bobo, pois agora com 46 anos voltar a escrever em diários me lembra a minha adolescência. Será que estou com saudades dela?

Não, talvez saudade da falta de compromisso, mas voltar a adolescência não. Agora se me perguntasse se eu gostaria de voltar aos meus 30 anos, eu poderia pensar...rsrs

A questão é mais profunda, quero dividir com vocês não somente o meu dia - a - dia como ilustradora, mas o meu dia como mulher, mãe e esposa. Moro num lugar lindo, com contado direto com a natureza, onde me inspiro e vivencio experiências que transformam minha vida. 

E nesses dia entre o frio intenso e o veranico, muitas coisas aconteceram por aqui. 

Estou ilustrando um novo livro que agora vou começar a aquarelar e nas conversas com a editora e a escritora eis que acontece o inimaginável.

Meu filho, um menino sapeca que adora animais. Vive andando pelo sítio junto com a Farofa, nossa cachorra vira lata. 

Eu conversava ao celular e de repente ouço ele me chamar. Respondo que estou no celular e aguardo que ele entre em casa.

Eis que ele entra com algo nas mãos e eu achando que era um rato já fui com receio. Ele vira a falar "Mãe olha o que tentei salvar da Farofa!" Eu cheguei mais perto e o menino tinha nas mãos um filhote de lebre. 

O pequeno filhote com os olhos abertos e o menino achando que o tinha salvado, mas que seu corpinho estava mole e não respirava.

Descobrimos que a Farofa não só pegou um dos filhotes, mas dois. Pegamos os três numa missão, foi colocado uma coleira na cachorra para que ela indicasse onde tinha encontrado os pequenos.

Ela indicou, mas não encontramos mais nada. Essa situação nos deixou abalados, pois somos inquilinos da lebre mamãe a mais de 5 anos e não tinhamos conhecimento que ela estava procriando no sítio.

Enfim, a noite termina com a mamãe lebre percorrendo o sítio em busca dos seus bebês e nós aqui com o coração apertadinho dentro do peito.

Optamos por uma varredura no outro dia, mas não encontramos mais nada. Infelizmente a natureza é assim, não tem como controlar.

O que sempre procuramos fazer aqui é prender os cachorros e ficar atentos, mas as vezes não conseguimos.

Nesses casos converso com meu filho, pois é um luto de um salvamento que não deu certo. Ele de bom coração entendeu que fez o que podia e que agora ficaria atento ao que a Farofa faz.

Aqui tenho muitas histórias parecidas como essa, as vezes tenho vontade de desenhar ou escrever sobre elas.

A escrita virou um refúgio, pois comecei a colocar no papel o que a minha cabeça não para de falar.

Continuo a aquarela e também refazendo algumas coisas, estudando novos caminhos. Evoluir é sempre preciso e até que eu me sinta satisfeita com o que criei, irei evoluir.

Vou tentar ser assídua nesse diário e contar pouco a pouco as aventuras que vivo aqui.


Até o próximo encontro,

Sabrina



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